A importância da Geometria



Atualmente, muito se tem refletido sobre quais habilidades e competências a escola deve desenvolver nos estudantes, e muitas dessas têm sido dirigidas à compreensão de conceitos geométricos e de que forma é possível ensinar e aprender de maneira contextualizada e capaz de capacitar o aluno à interpretação e resolução de problemas do cotidiano. Apesar de muitos esforços o que se percebe é que poucas mudanças ocorrem na sala de aula. O ensino de geometria ainda é pouco focado na compreensão e sim na memorização que logo vira esquecimento.
A geometria é uma importante área da matemática e extremamente relevante para a formação do aluno, pois é através dos conhecimentos geométricos que são desenvolvidas habilidades e competências referentes a concepção espacial, a leitura de mundo e a capacidade de descrever, medir ou representar objetos e situações presentes no cotidiano. Algumas pesquisas, como Nunes (2010), Santos e Nunes (2014), Lorenato (2008) entre outros, foram realizadas com o objetivo de melhorar o processo de ensino-aprendizagem da geometria, visando alterar o cenário de baixo rendimento escolar e destacar o importante papel exercido no campo da educação.
Diariamente é possível constatar que a geometria está presente em diversas situações do cotidiano, algumas vezes podemos observar formas geométricas na natureza, nas artes ou na construção civil, advinda da construção humana. Justificar a importância de se aprender e ensinar geometria não é uma tarefa simples, pois, nos faz refletir sobre tudo o que nos cerca e envolve conteúdos geométricos e o quanto o domínio desses conteúdos possibilita uma melhor compreensão do mundo que nos cerca. Pode-se dizer inclusive que sem aprender geometria, as pessoas não desenvolvem o pensamento geométrico, que interpreta as formas à sua volta e serve para subsidiar os pensamentos na busca de resolver inúmeras situações- problema. Além disso, pode-se dizer que a leitura de mundo torna-se mais difícil, já que vivemos rodeados de conceitos geométricos. Apesar de não ser muito lembrada, a geometria precisa ser enxergada todos os dias.
Segundo Neves (2008) quando nos referimos à geometria, falamos do espaço que nos cerca, bem como dos objetos presentes em todos os contextos. Enfim, de algo vivo que se apresenta a todo instante. Nesse sentido, questionamos o “diálogo” com a geometria feito apenas por meio de fórmulas e definições. A própria natureza do conhecimento geométrico é oposta a esse trabalho. Seu conhecimento é parte de nossas ações, de nosso olhar, de nossas experiências e de nossa observação. Logo, não poderemos falar de geometria para alguém, devemos deixar que os indivíduos/alunos sintam, vejam, observem, deduzam, validem e sistematizem a geometria presente à sua volta.
Da mesma forma Lorenzato (1995) diz que sem estudar geometria as pessoas não desenvolvem o pensar geométrico ou o raciocínio visual e, sem essa habilidade elas, dificilmente conseguirão resolver as situações de vida que forem geometrizadas; também não poderão se utilizar da geometria como fator altamente facilitador para a compreensão de questões de outras áreas de conhecimento humano.
Preocupados com a situação do ensino no Brasil e movidos pela boa repercussão que a nova LDB 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, estava causando, o MEC (Ministério da Educação e do Desporto) e a SEF (Secretaria de Educação Fundamental) oferece aos educadores, instituições formadoras de professores, escolas, instituições de pesquisas e editoras de todo o Brasil, um documento com a finalidade de apresentar linhas norteadoras para os currículos nacionais, os PCN, Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (BRASIL, 1998). Como foram anunciados, estes documentos nasceram da necessidade de se reconstruir uma referência curricular nacional para o Ensino Fundamental, que pudesse servir de fundo para se levantar uma discussão e resultar em Propostas Regionais de Ensino, nos diferentes Estados e Municípios brasileiros. A intenção contida nos PCN era o de provocar debates a respeito da função da escola e reflexões sobre: o que, quando, como, e para que ensinar, de maneira a se aprender. As reflexões de Documentos oficiais, como os Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática para o Ensino Fundamental, apontam que a construção do pensamento geométrico deve ocorrer ao longo da Educação Básica e que a geometria não deve ser vista como um elemento separado da Matemática, mas sim uma parte que ajuda a estruturar o pensamento matemático e o raciocínio dedutivo, devendo permitir ao aluno examinar, estabelecer relações e compreender o espaço tridimensional onde vive.
Muito se tem discutido sobre a necessidade de que a prática da sala de aula deve ressaltar o ensino de geometria como um tema central nos currículos do ensino fundamental e apesar da sua importância estar presente nos PCN (1998) e as aplicações e exemplos estarem inseridas no cotidiano, pesquisas recentes apresentadas pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (BRASIL, 2011) apontam para um sério problema que mostra que muitos alunos chegam ao final deste nível de ensino sem ter desenvolvido o pensamento geométrico.
REFERÊNCIAS: 
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio: ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias. Brasília, DF: MEC: SEMTEC, 1998.


BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas  (INEP). Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB). Brasília, 2011. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/saeb>.  Acesso em: 05 dez. 2015.
LORENZATO, Sérgio. Por que não ensinar geometria? Educação matemática em Revista - SBEM, n. 4, p. 4-13, 1995.

_______. Para aprender Matemática. (Coleção Formação de Professores). São Paulo: Autores associados, 2008.
NEVES, Regina da Silva Pina. Aprender e ensinar Geometria: um desafio permanente.  In: Programa Gestão da Aprendizagem Escolar - Gestar II. Matemática: Caderno de Teoria e Prática 3 - TP3: matemática nas formas geométricas e na ecologia. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008. Disponível em:  <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/2008/gestar2/matematica/tp3_matematica.pdf>.   Acesso em:  10 dez. 2015.
NUNES, Célia Barros.  O Processo Ensino-Aprendizagem-Avaliação de Geometria através da Resolução de Problemas: perspectivas didático-matemáticas na formação inicial de professores de matemática. 2010. Tese (Doutorado em Educação Matemática)-  Universidade Estadual Paulista - UNESP, Rio Claro, 2010. Disponível em:
<http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/102122/nunes_cb_dr_rcla.pdf?sequence=1>.  Acesso em: 25 nov. 2015.
SANTOS, Tawana.; NUNES, Daniel. Um olhar reflexivo sobre a aprendizagem geométrica no 9º ano do ensino fundamental. 2014 Disponível em: http://w3.ufsm.br/ceem/eiemat/Anais/arquivos/ed_4/CC/CC_2_SANTOS_TAWANA.pdf. Acesso em:11 dez. 2015

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